Páginas

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Mammalia - Primates

Primates

   A grande Ordem dos Primates é dividida em outras subordens, sendo que as mais abordadas são a dos Platyrrhini e dos Catarrhini, respectivamente, primatas do novo e do velho mundo.

As principais diferenças entre estas duas subordens são percebidas quando se observa a sua anatomia, nos Platyrrhini o focinho se apresenta achatado com as narinas voltadas para lado, já os Catarrinos apresentam um focinho mais alongado e com as narinas voltada para baixo.


Acima, Platyrrhini (Callithrix jacchus) abaixo Catarrini (Pan Troglodytes)



As principais evoluções características dessa ordem são a visão estereoscópica (fundamental para animais arborícolas), polegar opositor, a presença de unhas e não mais de garras (na maioria das espécies), alto caráter social e de "inteligência", dentre muitas outras.

Nas apresentações do OEAS demos enfoque especial aos macacos do Novo Mundo devido ao fato de serem espécies encontradas no Brasil e corriqueiramente mantidas em zoológicos e criadouros comerciais, além de resgatados pelo tráfico sendo assim pacientes rotineiros de clínicas médicas.

Os Platyrrhini possuem atualmente cinco familías (Callitrichidae, Cebidae, Aotidae, Pithecidae e Atelidae). A família Callitrichidae é representada pelos menores primatas entre os Macacos do novo mundo, com pesos que variam de 100g (Cebuella pygmaea, Mico leãozinho) até 650g (genêro Leontophitecus, Micos leões) possui cinco genêros com espécies que habitam ecossistemas variados, desde Mata Atlântica até o Cerrado, uma característica marcante desta família são os pêlos adorno presente na forma de topetes, bigodes e jubas que servem principalmente para a atração sexual, algumas espécies como as do gênero Callithrix apresentam hábito de comer goma de certas árvores, devido a esse fato apresentam adaptações referentes ao espessamento de esmalte nos dentes e até na própria disposição dos mesmos, possuem apenas os dedos opositores traseiros com unhas os outros apresentam garras.

Pêlos adorno em Sagui-cabeça-de-algodão
A família Cebidae é representada pelos macacos pregos (Cebus ssp.) e micos-de-cheiro (Saimiri ssp.), endêmicos da região neotropical, possuem todos os dedos com unhas ao contrário da família Callitrichidae.

A família Aotidae compreende várias das poucas espécies de macacos noturnos, possuem visão monocromática e apresentam o órgão vomeronasal (órgão de Jacobson) funcional, alimentam-se essencialmente de insetos.

A família Pithecidae possui atualmente cerca de 43 espécies, sendo que uma característica comum a todos é a pelagem espessa e vistosa, devido ao hábito de se alimentar de castanhas e coquinhos muito duros espécies como os uacaris (Cacajao ssp.) apresentam diastema para o encaixe dos coquinhos e facilitar a quebra além de musculatura mastigatória bem desenvolvida. Já a família Atelidae é representada por espécies como o bugio (Alouatta ssp.), macaco-aranha (Ateles ssp.) e o Monocarvoeiro ou Muriqui (Brachyteles ssp.) que é o maior macaco Sul Americano que esta altamente ameaçado de extinção. Uma característica comum a muitas dessas espécies é a presença de cauda preêsil com almofadas táteis, que a torna um membro extremamente funcional, semelhate a um quinto "braço".

Almofada tátil e demonstração de cauda preênsil em Ateles paniscus
ALIMENTAÇÃO


A alimentação de primatas em cativeiro representa um desafio em termos de balanço nutricional, devido ao fato de serem animais com alimentação muito diversificada na natureza. A manutenção basica a ser oferecida consiste em uma ração própria para primatas além de suplementação com frutas e legumes picados em pequenos pedaços para evitar o desperdício, mas temos que levar em conta as específicidades alimentares das diferentes espécies como a suplementação com goma, que é um elemento fundamental na alimentação genêros como Callithrix, nos Atelidae é fundamental uma alimentação com bastante fibras devido ao fato de que na natureza apresentam hábitos essencialmente folívoros, e as fibras são fundamentais para a boa motilidade gastrointestinal em animais que como esses, apresentam um sistema digestório longo onde os alimentos são processados mais lentamente. Um ponto que deve-se salientar é a forma como o alimento é oferecido, devendo-se estimular a busca do mesmo pelo recinto, além de se oferecer alimentos prêmio como tofu, tenébrios e grilos como forma de estímulo ambiental.

     INSTALAÇÕES

As instalações devem ser compatíveis com o caráter altamente gregário dos primatas, comportando os animais de forma que consigam demonstrar os comportamentos típicos da espécie, evitando ruídos desconfortáveis, um recinto com exposição solar matutina e tomando cuidado com variações bruscas na temperatura e umidade. Estudos observaram que primatas quando expostos aos visitantes nos zoológicos, principalmente os de menor porte, apresentam comportamentos de agressão entre os indivíduos do grupo, quadros de ansiedade e apatia, dessa forma deve-se adequar as instalações de forma que o recinto simule a condição arbórea, colocar a passagem dos visitantes de forma bem baixa a fim de parecerem pequenos aos olhos dos animais e/ou também colocar janelas de observação em locais altos para que os primatas enxerguem apenas a cabeça dos visitantes. Primatas de maior porte pode-se estudar o alojamento em recintos com isolamento através de fossos secos ou inundados ou até mesmo em recintos tipo "ilhas",  alguns grandes primatas de índole dócil podem ser mantidos em recintos fechados com cercas elétricas. Um ponto importante no quesito instalações é que os primatas devido ao fato de estarem mais próximos de nós  filogenéticamente que os outros animais, sofrem de muitas doenças de caráter zoonótico que podem ser transmitidas dos animais para os tratadores e visitantes, uma forma utilizada para evitar a passagem de doenças de visitante para animal e vice versa, é a instalação de vidros onde o contato entre os animais e os visitantes é mais próximo além é claro do espaço recuo entre o recinto e a área de visitação.





No response to “Mammalia - Primates”

Leave a reply

 
© 2009 Oficina de Estudos de Animais Silvestres. All Rights Reserved | Powered by Blogger
Design by psdvibe | Bloggerized By LawnyDesignz Distribuído por Templates